Observando os registros históricos acerca de produções artístico-culturais, percebi uma tendência inversa ao avanço tecno-científico-informacional, já que a produção de obras literárias e musicais, por exemplo, estão cada vez mais perdendo o senso engajado e/ou estilístico.
As projeções para a produção literária brasileira eram de que se expandiriam, tanto no quantitativo, quanto no que tange ao qualitativo a partir da redemocratização do país. Entretanto, as projeções não se corroboraram. O que houve, foi controverso, já que não se expandiu a criação literária, mas a restringiu.
Críticos e intelectuais tentam explicar este fenômeno através de fatos históricos, sociais, econômicos, políticos, ou até mesmo artísticos, contudo, ainda não há um consenso para tal. Uma das hipóteses, é que o público consumidor se tornou menos exigente. Talvez isto tenha acontecido porque a atual conjuntura mundial esteja em aparente clima de prosperidade nos diversos setores da sociedade, criando uma atmosfera de morbidez e comodismo na maioria das pessoas.
Sendo assim, caso o pressuposto seja real, só há duas possibilidades para promover a mudança; a primeira é mudando a concepção das pessoas em detrimento das circunstâncias presentes, promovendo o engajamento político-social para se ter uma noção coerente do que ocorre no presente; a outra, só se faz possível à medida que a problemática humana interfira de forma brutal no modo de vida das pessoas, como ocorreu no Brasil à época da ditadura militar, já que as artes são instrumentos de protesto contra o sistema vigente.
